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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Adília Lopes

Hoje lembrei de Adília Lopes, poeta nascida em Lisboa em 1960. Adoro seu poema "Eclesiastes", acho lindo. A editora Cosac Naify, em parceria com a 7 Letras, publicou em 2002 uma antologia muito bem cuidada de Adília. Vale a pena.

"Eclesiastes

'Seulete suy et seulete vueil estre
Seulete m'a mon doulx ami laissiee'

Christine de Pisan

Tempo de foder
tempo de não foder
saber gerir
os tempos
compor
saber estar sozinha
para saber estar contigo
e vice-versa
aqui estão as minhas contas
do que foi"

Saber estar sozinha às vezes é tão difícil. Nem sempre é fácil vestir o próprio corpo.

domingo, 8 de maio de 2011

Vestido de papel de seda

Ontem participei da Marcha pela Legalização da Maconha. Concordo que a legalização pelo menos do cultivo caseiro combate o crime organizado. E marchei pela causa. Não estava com máquina de fotografia, uma pena, muitas roupas engraçadas. Mas o melhor figurino, pra mim, foi um cara com um vestido de papel de seda. Impecável e muito original. Com uma blusa verde por baixo, o vestido de papel de seda, por conta do material, ia acabando, assim como um cigarro. Figurino perfeito.

***

Às vezes o próprio corpo é a indumentária mais difícil de vestir. Hoje, dia das mães, começo a sentir a chegada "daquele período" (adoro period inglês). É uma melancolia que literalmente começa no útero. E o mundo inteiro, todos os objetos, as pessoas, os sentimentos, passam a ter cinco centímetros a mais de profundidade.
***

Há coisa de três semanas posei para a fotógrafa Anna Fischer. Ela adora retratos, e eu gostei muito desse que ela fez de mim.